Paraguai, 2005 / mapa da CIA - U.S. Central Intelligence Agency

Paraguai, o futuro que destruímos (parte 4 de 4)

A guerra durou de 1864 a 1870, quando Solano López foi morto com um tiro pelas costas em Cerro Corá. Terminado o conflito, o Paraguai estava em ruínas: foram exterminados mais de 75% da população (600 mil mortos), toda a população masculina com mais de 20 anos sucumbiu, indústria e agricultura foram destruídas, terras e ferrovias entregues a estrangeiros. Sobre os escombros do país, caiu o primeiro empréstimo da sua história (negociado com a Inglaterra, naturalmente), destinado a pagar dívidas de guerra¹ impostas pelos países da Tríplice Aliança. As fábricas paraguaias foram destruídas uma a uma; máquinas e ferramentas, lançadas nos rios.

O Paraguai ficou sem 40% de seu território, entregues à Argentina (94 mil km²) e ao Brasil (60 mil km²). Nós perdemos mais de 100 mil homens (sobretudo negros²) e assumimos uma duplicata de 10 milhões de libras do Banco Rothchild, de Londres, que nos deixou combalidos financeiramente até o final do Império (a República logo fez outros empréstimos com o mesmo banqueiro, mas isto é outra história). Sem considerar que, por temor de que a Bolívia ajudasse Solano López, o governo brasileiro cedera ao ditador boliviano Melgarejo a região inteira do Acre, um "agrado" que posteriormente nos custou muito dinheiro, esforços diplomáticos e vidas para desfazer. 

A Inglaterra foi quem mais lucrou com a Guerra do Paraguai: fez empréstimos aos aliados a juros exorbitantes, vendeu armas e navios, passou a ter direito de navegação na Bacia do Prata, ficou com as ferrovias paraguaias e, finalmente, forçou o país a se submeter ao poder econômico e político britânico. 

Notas
¹A dívida de guerra era tão grande que foi perdoada posteriormente pelos aliados, mas não pela Inglaterra, que cobrou o empréstimo e seus altos juros integralmente, é claro
² Registros da época indicam que a proporção racial nas tropas era de 45 negros para 1 branco

Celso Serqueira e-mail do autor

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